Os que buscam a Verdade

Busquem e encontrarão.

O coração do artista: Capitulo 2 parte 3 (FINAL): O que NÃO é humildade

“O orgulhoso diz, ‘Veja o que eu fiz.’ O humilde fala: ‘Veja o que Deus fez através de mim.’”

Rory Noland

É pecado sentir-se confiante em meio a uma apresentação? Isso me faz menos humilde?

Segundo Rory, perguntas como essa frequentemente partem de pessoas que atribuem (erroneamente) humildade a três perfis de pessoas:

O omisso (“being spineless”) – Uma pessoa covarde, que não sabe confrontar os outros, deixando dessa forma que os outros o façam por ele.

Responda rápido: Alguém que não corrige o seu próximo o ama de verdade? Leia Hebreus 12 – 5 ao 11 e veja!

Como bem disse o reformador Martinho Lutero: “A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.” Deus nos chamou para dizer a verdade em amor! O pai da mentira é o Diabo, e é ele quem se alegra quando damos tapinhas nas costas de alguém que precisa se arrepender, ou simplesmente não tomamos partido e nos omitimos, seja por covardia, seja por medo de rejeição. Temos sido condescendentes com o pecado dos outros?

O sem convicção (“wishy-washy”) – Aquele tipo de pessoa sem norte, que muda facilmente de opinião (veja Tg. 1:8). Ser receptivo a sugestões e críticas é diferente de ter um coração dobre, mudando constantemente de direção. Não devemos colocar a vontade do grupo acima da vontade de Deus: A palavra é nosso farol, nosso referencial, e é por não conhecê-la de verdade que muitas vezes somos enganados ou sofremos.

Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.
Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.

Salmos 119:104-105

O coitadinho (“apologetic”) - Aquela pessoa que vive se auto-depreciando: “Você não sabe o que eu sofri”, diz ele, julgando que isso o faz melhor do que os outros, se vangloriando da própria desgraça. Fazemos isso até mesmo involuntariamente, quando recebemos elogios e assim respondemos: “Sou só um verme sendo usado por Deus até que ele ache alguém melhor.” ou algo como “A glória é dele irmão, eu não sou nada!” Não questiono a veracidade dessas frases: elas são verdadeiras, são genuínas, mas muitas vezes a nossa intenção por trás delas não é.

A autocomiseração é pecado: Tomando uma posição como essa nos colocamos numa posição egoísta, ignorando os problemas dos outros e focando nos nossos e superestimando-os. Não é errado entristecer-se em face das dificuldades, mas nunca deixe que elas façam com que você perca o amor de Deus de vista! Lembre-se: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm. 8:28-29).

E assim terminamos o segundo capítulo (apesar de ainda ter muita coisa pendente, não é minha intenção postar o conteúdo do livro integralmente). Semana que vem começamos o terceiro capítulo: Um abraço!

Na busca pela verdade

Bruno!

O coração do artista – Capitulo 2 parte 2: Três barreiras que impedem o serviço cristão

“ Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus.”

1 Coríntios 4:1

Servir ao invés de ser visto: Esse deve ser o lema de todo cristão. A fama, o reconhecimento não devem ser objetivos, mas sim uma consequência em nossos ministérios. E que exemplo maior do que o de Jesus temos de serviço?

Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

Marcos 10:45

Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.

Filipenses 2:6-8

“Dois mil anos depois a imagem de Jesus lavando os pés dos discipulos está cravada em nosso coração, ainda que falhemos em compreender tudo que Jesus quis dizer com essa atitude.”

Rory Noland

Ao ver de Rory, existem três principais barreiras no caminho do artista servo:

1. Uma atitude de superioridade

Dificilmente alguém se arrisca a dizer em alta voz que é melhor do que os outros, disso não tenho dúvida! Entretando, existem diferentes maneiras de transmitir essa mensagem aos outros, algumas mais e outras menos sutis. Rita jamais assumiu publicamente ser melhor do que todos os outras pessoas, mas suas atitudes transmitiram essa mensagem! As ações muitas vezes falam mais alto do que palavras! Arranque o orgulho do seu coração! Orgullhe-se em conhecer a Deus:

“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

2 Coríntios 12:9 (ênfase minha)

2. Egoísmo por trás de nossas atitudes

A grande pergunta é: Temos servido a Deus ou a nós mesmos? Pra muitas pessoas o ministério artístico nada mais é do que uma forma de ser notado, de estar no centro das atenções, sendo que muitos líderes acabam se tornando reféns da opinião alheia tamanha é a sua ânsia de agradar a todos, buscando assim a aprovação dos homens e não a vontade de Deus. Queremos aplausos! Queremos ser reconhecidos!

Qual é a sua motivação? Se a resposta for “eu, eu, eu”, está na hora de repensarmos nossas atitudes: O ser humano pode não notar, mas Deus sonda os nossos corações, e nada há que ele não possa ver. Abra mão do egoísmo.

3. Confiança pura e tão somente em nossos dons

Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne.”

Filipenses 3:3 (ênfase minha)

- Eu faço e aconteço! Tudo dará certo pois eu sou talentoso o suficiente, esperto o suficiente! Se pensamos assim estamos miseravelmente enganados! Devemos sim estudar, devemos sim nos precaver, mas lembre-se que sem a graça de Deus nada disso seria possível! Ele que nos dá forças pra andar, é n’Ele que pensamos, é graças a Ele que existimos, que temos saúde, força para nos movermos: Tudo vem de Deus! Antes de se perguntar como estava sua aparência no palco ou como a música soou, pergunte-se: Deus tem me usado? Tenho sido boca de Deus ou falado do que provêm do meu coração?

Fale com Deus hoje e todos os dias, entregue toda a sua ansiedade, coloque suas motivações aos pés d’Ele, lembre-se de Jesus lavando os pés dos discipulos! Que façamos o mesmo, hoje e sempre…

Este artigo faz parte de uma série de textos baseados no livro “O coração do artista”, do autor Rory Noland. O texto consiste num resumo de parte do capitulo 2 do livro (com algumas adições minhas). As citações também foram retiradas do livro.

Bruno Vilela

O coração do artista – Capitulo 2: Serviço versus estrelato

“O desejo de sermos servidos é abraçado com muito mais facilidade do que o de servir.”

“Como artistas nós muitas vezes somos egoístas e egocêntricos. Gostamos da atenção que nossos talentos trazem. Gostamos de nos sentir mais especias do que os outros, que não conseguem colocar em prática ou criar como nós. A sociedade na qual vivemos tende a colocar qualquer um que tenha talento sobre um pedestal.”

Rory Noland

O Capítulo começa com a história de uma vocalista chamada Rita. Rita cantava profissionalmente, estava habituada a apresentar-se em festas, casamentos, e havia gravado até mesmo jingles para rádios! Pouco depois de ter sido incorporada a membresia da igreja local, todos notavam o quanto era talentosa e estava a frente de todos os outros cantores em termos de técnica e, graças a isso, Rita rapidamente assumiu uma posição de proeminência no ministério de louvor.

Todo o pessoal procurou recebê-la com carinho, e rapidamente ela se adaptou a igreja local. Entretanto problemas começaram a surgir no decorrer do caminho: Não era fácil conversar com Rita, já que ela não vazia a mínima questão de se envolver com outras pessoas, se abrir, conversar. Além disso sempre estava atrasada nos ensaios, não dava satisfação quando precisava faltar, era impaciente com o técnico de som e os outros cantores, sarcástica com relação a banda (se alguém errasse ou as coisas não saíssem conforme o gosto dela, era um Deus nos acuda!), comparecia aos ensaios sem tirar as músicas com antecedência (julgando que as pessoas fariam vista grossa a sua negligência, já que ela era uma profissional ou não tinha tempo), não se sentava para ouvir o sermão, só comparecia a igreja quando era sua escala, e além de tudo isso não era aberta a críticas.

Rita nunca disse em voz alta que era superior as outros, que era uma estrela, que cantava melhor que tudo mundo, entretanto ela era reconhecida por praticamente toda a congregação por ser prepotente, arrogante, uma verdadeira prima donna: As atitudes de Rita falaram muito mais alto que suas palavras, e a levaram a ser reconhecida assim.

O Pastor percebeu o comportamento de primma donna de Rita e, gentilmente, conversou com ela em particular, tentando ensiná-la sobre o que é verdadeiramente servir na igreja local. Entretanto Rita se sentiu ofendida, e não entendeu o porque do pastor tê-la colocado à parte: “A bíblia não nos ensina que não devemos julgar?” ela respondia revoltadamente. Ela estava ferida. Se sentia incompreendida. “Essas pessoas não me reconhecem como deveriam”, ela dizia a si mesma, e então decidiu deixar a igreja e nunca mais voltar. A igreja, por outro lado, se recuperou muito bem, e mesmo sem Rita seguiu em frente com seu ministério de música.

Bem, o caso de Rita pode parecer meio extremo, não é mesmo? Também concordo, dificilmente encontraríamos alguém como Rita no decorrer de nossa vida, mas verdade seja dita: Todos nós provavelmente iriamos admitir ter reconhecido um ou dois traços de Rita em alguém no decorrer de nosso ministério! Enquanto parece óbvio que Rita precisa aprender como servir, pode não parecer tão óbvio que existe um pouquinho de Rita dentro de todos nós.

“É muito mais fácil apontar falhas nos outros do que reconhecer as nossas”

Semana que vem continuamos sobre três obstáculos que estão no caminho do verdadeiro serviço: Uma atitude de superioridade, egoísmo por trás de nossas ações e confiança pura e tão somente em nossos dons. Medite na história de Rita, e se pergunte: Existe algum traço de Rita dentro de mim? Tenho reconhecido minhas falhas?

Este artigo faz parte de uma série de textos baseados no livro “O coração do artista”, do autor Rory Noland. O texto consiste num resumo de parte do capitulo 2 do livro (com algumas adições minhas). As citações também foram retiradas do livro.

CAPITULO 1 – CARÁTER PROVADO: QUEM É VOCÊ QUANDO NIGUÉM ESTÁ OLHANDO?

“Preocupe-se mais com o seu caráter do que com a sua reputação, porque o seu caráter é o que você realmente é, enquanto que a sua reputação é meramente o que os outros pensam que você é”.

John Wooden, falecido jogador e treinador de basquete

Quem nunca conheceu algum membro problemático na igreja local? Um músico que vive perdendo a hora, um vocalista que frequentemente ameaça sair, um tenor que mais falta aos ensaios do coral do que comparece, uma soprano chata que vive se opondo a mudanças…

Quem você escolheria entre um artista talentoso e problemático e um piedoso e sem talento? Deus quer ambos! Quem disse que não podemos ser os dois?

É nosso dever crescer diarimente, tanto em caráter quando em habilidade artística! Não que Deus queira de nós perfeição, mas sim um caráter coerente com a vida que Deus nos chamou para viver.

Aqui vai uma primeira pergunta feita por Rory [ênfase minha]: “Estamos nos tornando pessoas mais amorosas, ou estamos por demais absortos em nossa arte? Estamos amando ao Senhor com todo o nosso coração, alma, e mente, ou amamos mais cantar, tocar, interpretar e criar? As pessoas ao seu redor podem dizer que você é uma pessoa amorosa?

Temos uma consciência clara de como estamos vivendo nossas vidas? Somos pessoas honestas? Estamos tratando com o pecado em nossas vidas ou o estamos ocultando? Estamos vivendo como os que estão mortos para o pecado e vivos para Cristo, ou estamos cedendo aos prazeres passageiros do pecado? Estamos prestando contas uns aos outros de nossos pecados?”

Alguns de nós tentam esconder-se por detrás de seus talentos, negligenciando quem são por dentro, e não enxergam que quem somos por dentro é quem somos realmente. É por isso que Paulo diz que se esforça para “ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (At 24.16).

Quem somos nós quando ninguém está olhando?

Um cristão autêntico não se esconde atrás de máscaras como seu talento ou ministério, não encobre a sua dor! Um cristão de verdade admite seus conflitos, assume suas falhas e luta constantemente contra elas.

“Autênticidade não quer dizer que somos perfeitos, mas sim que somos verdadeiros.”

“Deus nunca desejou que o crescimento de nosso caráter fosse uma prioridade pequena. Todos devemos amadurecer espiritualmente “à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13). Devemos “crescer em tudo” em Cristo (Ef 4.15). Crescer em Cristo não quer dizer adquirirmos conhecimento intelectual. Significa crescermos em áreas como excelência moral, intimidade com Cristo, autocontrole e disciplina, perseverança, piedade, bondade e amor. “Porque estas coisas existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Pe 1.5-9). Esse é o tipo de material a partir do qual um caráter é construído.”

Por fim deixo novamente a pergunta feita anteriormente: Faça uma auto-crítica e se abra com Deus:

“Quem é você quando ninguém está olhando?”

Todas as citações acima foram tiradas do capitulo 1 do livro “O coração do artista”, de Rory Norland. O começo do livro foi disponibilizado pela editora na internet, portanto os respectivos trechos se encontram disponíveis para leitura.

O coração do artista parte 2: Michelangelo – A igreja e seus abusos

Em nosso último artigo postei uma breve citação contida no livro “O coração do artista”, a qual falava acerca de artistas cristãos que não dão a mínima para a igreja, enxergando-a simplesmente como um trampolim para algo maior, ou de jovens que tem a visão de que um ministério artístico não se controi no contexto da igreja local.

Hoje gostaria de falar de abusos novamente: não por parte dos artistas, mas sim por parte da igreja. Segue abaixo mais um trecho do livro (disponível no prefácio disponibilizado na internet pela editora):

“Tenho trabalhado com artistas por mais de vinte anos, e visto igrejas lidando com eles de duas maneiras: ou nós os mimamos, fazendo vistas grossas às suas deficiências, ou usamos e abusamos deles. Agonia e Êxtase, um romance biográfico sobre a vida de Michelangelo, escrito por Irving Stone, tem um capítulo longo dedicado aos relacionamentos do artista com os vários papas para quem trabalhou. Muitos desses relacionamentos foram tempestuosos e a experiência de Michelangelo como um artista sacro foi extremamente frustrante. Ao ler sobre todos os abusos sofridos por um dos meus artistas preferidos, ocorreu-me um pensamento de que esta tensão entre igreja e artistas tem se estendido por centenas de anos. Sonho com o dia quando a igreja irá parar de alienar seus artistas, passando a cuidar deles, dando-lhes um lugar seguro para que possam crescer e tornar-se pessoas como Deus quer que sejamos.

Gostaria que fossemos mais sensíveis às necessidades dos artistas. E gostaria que todos os artistas amassem a igreja e crescessem em caráter cristão e em integridade.”

Michelangelo é considerado até hoje um dos maiores criadores da história da arte no ocidente, mas o fato de tratar-se de um verdadeiro gênio não o livrou muitas vezes de sofrer abusos, ser incompreendido, explorado: Veja só, estamos falando de um prodígio! Nem fazendo o que fazia com excelência ele escapou dessas coisas, e conosco não é diferente!

Como bem disse Abigail Van Buren, a igreja é um hospital para pecadores, e não um museu para santos. Jesus disse que aqueles que precisam de médico são os doentes, não os sãos! Sendo assim ele veio justamente para chamar pecadores e não justos (Marcos 2.17).

A igreja é constituída de seres humanos, e como carne que somos, sem dúvida vamos errar! Vamos ferir e também seremos feridos no decorrer da nossa caminhada, mas devemos nos lembrar que a despeito de todas as nossas imperfeições, Deus nos chamou como igreja para mudar o mundo! Não desista no decorrer da jornada!

Devemos ter consciência de que investir nas artes é investir também no reino, pois assim como o corpo tem muitos membros e cada um tem sua função, também nós como artistas possuímos nosso papel na edificação do reino de Deus, sendo parte do corpo de Cristo! Vamos nos frustrar muitas vezes? Sem dúvida! Mas tenha certeza que também passaremos por muitos momentos bons e alegres, e o mais importante: Mostramos que amamos a Cristo praticando o que ele ensinou! (João 14.21) Temos a oportunidade de mostrar que amamos aquele que nos amou primeiro e comprou a preço de sangue através da nossa arte! Vou dar exemplos de como podemos fazer isso no contexto da igreja local na próxima semana.

Gostaria de terminar esse artigo com uma breve citação do autor do livro, um trecho que me comoveu e ao mesmo tempo me motivou quando o li pela primeira vez: Leia com atenção, guarde no seu coração, seja levado a reflexão:

“Estou envolvido no ministério de música por mais de vinte e cinco anos, e confesso que, em alguns dos pontos mais difíceis, ao longo do caminho, quis desistir. Mas, quando pensava em fazer outra coisa de minha vida, nada chegava sequer perto, a ponto de cativar minha paixão. Isto é o que Deus me chamou para fazer. Deus me colocou aqui neste mundo para fazer música cristã! Minha missão na vida é contribuir para o avanço da música na igreja. Você não precisa trabalhar numa igreja para amar a igreja. Deus está, através dela reconciliando para Si um mundo perdido, e convida você e eu para sermos uma parte deste “ministério da reconciliação” (2 Coríntios 5.18). A igreja é a esperança do mundo. Servir a Deus na igreja local é um chamado nobre e sublime.”

“A igreja é a esperança do mundo. Servir a Deus na igreja local é um chamado nobre e sublime.”

Rory Noland

Não veja a igreja como um trampolim!

“Vivemos em um tempo, no entanto, quando muitos artistas não dão a
mínima para a igreja. Até mesmo artistas cristãos. Quando pensamos em nossa arte impactando o mundo, na maioria das vezes não pensamos em fazer isso através da igreja local. Ou se pensamos, vemos a igreja como um trampolim para algo com um público maior.

Por exemplo, há uma geração inteira de jovens crescendo agora mesmo
com a ideia de que um verdadeiro ministério de música não está na igreja, mas na indústria da música cristã. De fato, quando ouvem o termo “artista cristão”, a maioria das pessoas pensa que isso se refere a alguém “na indústria”. No entanto, o contralto no coral da igreja, o ator cristão de um grupo de teatro na congregação, e o professor de arte convertido, são muito mais artistas cristãos do que alguém na indústria. Essa opinião não me faz ter amigos na indústria da música cristã: você alguma vez já pensou se essa indústria foi realmente a primeira opção de Deus para alcançar um mundo perdido, ou se nós, em nossa comunidade, não teríamos abdicado desse privilégio porque não tivemos a visão do quão poderosa a música poderia ser na igreja? 

Não estou dizendo que a benção de Deus não esteja sobre a indústria da música cristã. Ela tem produzido muitos frutos e tem tocado a vida de muitos ainda hoje. Esse impacto, no entanto, não se perderia pelo fato de artistas cristãos estarem concentrando seus ministérios para dentro da igreja ou para o mercado secular. Àqueles que são músicos, tenho que dizer que se estão fazendo música cristã mas realmente gostariam de estar fazendo algo mais (como “acontecer” na indústria), não façam música cristã. Façam outra coisa. Isso serve para todos nós artistas. Não veja a igreja como um trampolim para algo mais importante.”

Rory Noland, em seu livro “O coração do artista”. Citação contida em trecho do livro disponibilizado na internet pela editora para consulta

http://livros.gospelmais.com.br/wp-content/blogs.dir/6/files/livro-o-coracao-do-artista.pdf

Por quê não acredito em milagres

Vivemos em tempos modernos não é mesmo? A ciência, com sua varinha de condão, nos dá a impressão de ter desmitificado praticamente tudo!

Como bem disse Heschel, hoje cremos de que todos os mistérios podem ser resolvidos, e que todo assombro não passa do “efeito que o novo imprime sobre a ignorância”. Com o tempo o novo perde a capacidade de nos impressionar. Ele assim conclui: “À medida que a civilização avança, o senso de assombro declina”.[1]

A falta de assombro de um cético me assombra menos do que a falta de assombro de tantos que se dizem cristãos diante de tanta miséria, pobreza, angústia, abandono, inércia das autoridades, e tantos outros males que, apesar de visíveis, são ignorados.

Como bem disse Lewis, se sua caridade não pesa nem um pouco em seus ombros, ela merece ser questionada… se você gasta o mesmo de quem não é cristão com coisas supérfluas, tem algo errado com a sua religião.[2]

Eu não acredito em milagres! Não acredito em gente que pede pra Deus mudar o Brasil e não coloca as mãos no arado! Gente que pede em favor dos pobres mas não colabora em nada! Alienados políticos, ativistas de banco, gente mais inerte do que muitos ateus que no papel não tem compromisso nenhum com o direito dos mais pobres, mas que dão a cara pra bater mesmo não tendo motivos aparentes!

Devemos fazer ação social! E não só nos limitar a ela, mas cobrar do Estado! Pois muitas vezes tais ações sociais são necessárias graças a incompetência e/ou a ausência do governo! A igreja não denuncia, prega contra o mundanismo mas se restringe a pequenas ações como “devolva o troco”, “não roube”, “não cole nas provas”! Deve sim se opor ao mundanismo, mas também deve se opor a omissão, a boca fechada, pois quem cala muitas vezes consente sim!

 

Me responda: Você já viu um candidato que recebeu orações (como se fosse só essa a intenção) em um púlpito voltar pra dar satisfação se eleito? Já viu algum pastor mobilizar os membros e organizar excursões pra uma plenária? Espero que existam, porque eu nunca vi! E se houvesse um sacerdote que fizesse isso, ainda assim duvido que haveria adesão…

Precisamos de um milagre pra doar pra missão mundial? Se precisa de um milagre pra dar um telefonema na assessoria de um vereador, um deputado, e cobrar serviço, pedir satisfação? Precisamos de um milagre pra tirar 5 minutos do nosso dia pra ligar pra alguém com quem não falamos faz tempo e oferecer um ombro amigo, perguntar se precisa de algo?

E boa parte dos parlamentares que se dizem evangélicos só advogam em função de interesses próprios! Parecem viver uma dicotomia: Somos nós e eles! Os escolhidos contra o mundo! Como se as pessoas fossem nossas inimigas! Jesus ensinou a amar o próximo sem distinções étnicas, culturais, políticas e até raciais! Logicamente a palavra nos diz que somos geração eleita, sacerdócio santo, que a luz não tem comunhão com as trevas, entretanto isso não nos livra de zelar pelo bem comum!

 

Não acredito nessa cambada de cantores gospel e pastores que dizem que um novo tempo vem sobre o Brasil, que um mover está pra acontecer, que o Brasil é de Jesus: É fácil realizar atos proféticos, difícil é fazer não é mesmo?

 

É por essas e outras que não acredito em milagres! Pelo menos não nos que estão ao nosso alcance, se é que você me entende.

Na busca pela verdade (e menos atos proféticos e mais atitudes)

Bruno

[1]Trecho retirado do livro “o evangelho maltrapilho” (Brennan Manning)

[2]Trecho retirado do livro “Cristianismo puro e simples” (C.S.Lewis)  

Um lugar proibido para pessoas perfeitas

Esse post é um esclarecimento em relação ao vídeo que postei no mês passado…

 

Conta a história que um pecador notório foi excluído e proibido de entrar na igreja. Ele levou suas dores a Deus:

 

- Eles não me deixam entrar, Senhor, porque sou um pecador.

- Do que é que você está falando? – Deus perguntou. – Eles também não me deixam entrar.

 

“…embora seja verdade que a igreja deva sempre se dissociar do pecado, ela não pode ostentar qualquer desculpa para manter qualquer pecador a distância.”

 

Brennan Manning, em “O evangelho maltrapilho”

 

 

No mês passado postei um vídeo, em resposta ao tal desafio “não me envergonho do evangelho”, o qual se disseminou rapidamente pelo facebook, e que consistia em basicamente postar um vídeo citando uma passagem da bíblia e intimar outras três pessoas a fazer o mesmo… até ai nada de mais.

Com o passar dos dias assisti alguns vídeos, e o que constatava em muitas pessoas era um conhecimento bíblico raso, ou quando não era o caso filmagens que remetiam ao improviso. Resolvi inovar, fazer algo que marcasse afinal de contas: Mas o que dizer?

Ai é que o chicote estralou! Bastou um palavrão no vídeo e pronto: Objetivo alcançado! Consegui chacoalhar as pessoas e ao menos chamar a atenção delas para o que queria dizer… será mesmo?

A questão é que por se tratar de um dos “levitas” da igreja, há quem tenha se escandalizado ao me ver falar aquilo! E o maior problema é que por conta desse início de vídeo espalhafatoso algumas pessoas simplesmente não assistiram o restante do vídeo. Cinco diferentes fontes, muito conteúdo e uma palavra biblicamente correta e coerente não fizeram frente a um palavrão…

O que dizer afinal de contas? Errei ao fazer aquilo? Afinal, o palavrão invés de chamar a atenção das pessoas para o que eu queria dizer simplesmente as afastou?

 

Como foi dito pelo apóstolo Paulo: “Não saía de vossa boca palavra torpe, mas tão somente a que for boa para produzir edificação.” A meu ver não fui contra essa palavra.“Mas poxa vida irmão Bruno – você poderia retrucar – a palavra não nos diz que não devemos escandalizar afinal de contas? O próprio apóstolo Paulo disse isso! Ainda que tenhamos a razão em certos assuntos, devemos nos abster para preservar alguém que é mais fraco na fé!” Sem dúvida alguma as escrituras dizem isso! Mas respondo com uma outra pergunta: Até que ponto não devemos escandalizar? De uma coisa tenho certeza: O escandalizar não é pretexto para inibir o que é certo. Por causa desse receio em escandalizar acabamos por levantar tabus dentro das igrejas: deixamos de falar em certos assuntos como pornografia, falta de pudor, orgulho, dentre tantas outras coisas que incomodam os ouvintes, e o escandalizar vira pretexto para a omissão! Ao fecharmos nossa boca perante estes e tantos outros pecados, também pecamos!

 

Seria essa mensagem tão indigna de ser ouvida graças a um único palavrão?

Seria uma vida tão indigna de ser ouvida e resgatada por conta de seus trejeitos, sua má fama, seu palavreado de baixo calão?

Seria uma pessoa tão desprezível por causa dos seus trejeitos, costumes, amizades, ao ponto de não merecer que eu ou você nos dispuséssemos a pregar a boa nova a ela?

 

Desistimos muitas vezes sem tentar (falo também por mim), e esquecemos que o espírito santo convence os corações, e que o nosso dever é falar, e que a nenhum homem devemos chamar de comum ou imundo (At. 10:28).

 

É interessante falar em escândalo, pois a própria palavra da cruz era “escândalo para os Judeus” e “loucura para os gregos”, mas para os cristãos era “salvação para todo aquele que crê”: E para nós, o que é a boa nova? Só devemos tirar da bíblia o que nos interessa e jogar fora todo o resto? Procuramos afinal um aliado nas escrituras ou um mestre? Um aio ou um juiz?

 

Blasfêmia ou escândalo é o mesmo que dizer “isso não me agrada” pra você?

 

Se a resposta for sim, você precisa urgentemente mudar os seus conceitos: Um cristão legalista e hipócrita (me perdoe a redundância, pois a hipocrisia já está implícita no caráter de um legalista) é muito mais foda do que muita gente por ai taxada como pecadora e condenada ao inferno pela boca de muito santarrão por ai! Condenamos mas esquecemos que também somos igualmente pecadores!

 

A palavra deve ser pregada e o pecado abominado, não resta dúvida. Entretanto, enquanto não nos contentamos em resgatar vidas, mas tivermos a necessidade de nos julgar mais dignos ou melhores do que os outros, postagens como essa jamais deixarão de surgir.

 

Bruno Vilela

Eu não me envergonho do evangelho? Ou me escandalizo fácil?

Você é foda Binho! Tinha que me envolver nessa brincadeira também hein kkk, puta que la merda…

Bom dia pessoal, meu amigo Wellington me desafiou, e como missão dada é missão cumprida, estou aqui pra deixar minha contribuição:

 

Matheus 11:19 parte A: “Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores.”

 

E ai irmãozinho, tá prestando atenção no que eu to falando ou se escandalizou tanto com o palavrão que não tá conseguindo assimilar o que eu digo? Tem um por que deu ter dito isso, preste atenção que você vai descobrir…

É com a desculpa de não escandalizar o próximo que deixamos de ir muitas vezes a certos lugares e ao encontro de pessoas, quando o próprio Jesus escandalizou a muitos por causa do seu amor aos perdidos.

É preciso que nós deixemos nossos guetos eclesiásticos, nosso mundinho, de modo a penetrar na sociedade com um testemunho vibrante e convincente. [1]

 

Não tenha medo de dialogar com quem pensa diferente de você! Das duas uma: Ou seremos convencidos de que estávamos errados (isso se formos humildes o suficiente pra reconhecer isso) ou daremos mais valor ainda ao que cremos, tendo nossa fé reforçada e aprofundada, seja pelo contraste com outras visões de mundo, seja pela compreensão de aspectos similares ao que cremos presentes em outras cosmovisões, outras religiões, outras filosofias (tendo toda cautela pra não negociarmos nossos valores). [2]

Até mesmo através de frases da autoria de ateus como Nietzcsche e Bertrand Russel aprendi lições valiosas:

 

O primeiro disse“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”. Aprendi com isso que ao defender minha fé não estou isento da obrigatoriedade de apresentar bons frutos: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.[3] Ter posse dá razão não é pretexto para a intolerância e muito menos pra se ferir pessoas.

 

Já o segundo disse certa vez o seguinte: “Todos nós temos uma tendência a pensar que o mundo deve estar de acordo com os nossos preconceitos. A visão oposta envolve algum esforço de pensamento, e a maioria das pessoas iria morrer antes de pensar – na verdade, é o que fazem.”Aprendicom isso que a bíblia deve nos levar a ler nossa mente de forma crítica, e assim devo sempre rever meus conceitos a luz do que ela diz, procurando compreender se o que pensosobre algo está de acordo com o que a bíblia diz ou é simplesmente minha opinião! [4]

 

Desculpe se o palavrão te ofendeu ou escandalizou, ele serviu pra nos mostrar que não devemos usar o “escandalizar” como pretexto para rejeitar pessoas e deixar de dialogar com elas. Que o evangelho da cruz, que era escândalo para os Judeus, segundo Paulo, esteja sempre em seus lábios!

E o desafio segue pros meus manos Gilson, Dudu e Robson. Transcrevi o vídeo e postarei o link da transcrição nos comentários. Se você quer crescer um pouco mais na fé ou tem curiosidade a respeito das coisas que falei, vale a pena dar uma olhada.

 

Um abraço!

UM ADENDO IMPORTANTE: Como bem disse o Pastor Ed René Kivitz: “a fé sem teologia se degenera em superstição” [5]. Os livros da bíblia devem ser lidos a luz de seu contexto histórico, e não só isso, mas muitas passagens são difíceis de se compreender, sendo assim precisamos de explicação. A teologia é um instrumento fundamental pra se crescer na fé, bem como deve ser usada de forma correta!

 

 

 

Fontes:

 

[1] http://ultimato.com.br/sites/jovem/2014/02/03/ide-e-fazei-amigos-a-importancia-da-amizade-na-evangelizacao-dos-universitarios/

 

[2] http://osquebuscamaverdade.wordpress.com/2013/08/02/tres-boas-razoes-para-estudar-outras-religioes/. Trecho retirado do livro “Manual de defesa da fé”, Editora Central Gospel – Peter Kreeft.

 

[3] http://www.pulpitocristao.com/2012/10/o-animal-religioso.html#.Uyzd7JtPqax

 

[4] http://www.ultimato.com.br/conteudo/pensamos-o-suficiente-quando-lemos-a-biblia?__akacao=1795337&__akcnt=18fa4b83&__akvkey=090d&utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Newsletter+%DAltimas+187+-+04%2F02%2F2014

 

[5] http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/345/teologia-politica

Qual o sentido da vida?

C.S.Lewis assim escreveu: “Nenhum homem sabe realmente o quanto é mau até se esforçar muito para ser bom.” Milhares de anos se passaram, diversas cosmovisões, sistemas políticos, filosofias, religiões, inúmeras tentativas foram feitas, mas a humanidade ainda sofre com a miséria, a fome, injustiça, corrupção e tantos outros problemas que não preciso enumerar… até quando colocaremos nossas esperanças sobre discursos de outros homens, tão falhos quanto nós? Até quando residirá em nós a falsa esperança de que as coisas caminham rumo a perfeição, que nossos descendentes verão um país justo, sustentável, livre de corrupção? Até quando será mantida viva a ilusão de o paraíso pode ser aqui, de que o melhor de Deus já chegou? Bem gostaria de acreditar no discurso do salmista, que dizia que os malfeitores seriam ceifados em breve assim como a erva (Sl. 37), mas as vezes parece difícil crer…

E como se não bastasse sermos injustiçados também injustiçamos: Cobiçamos, mentimos, vivemos indiferentes ao sofrimento alheio, somos por diversas vezes mesquinhos, arrogantes, egoístas, avarentos, e ainda assim fazemos questão de apontar o dedo impiedosamente sem reconhecer nossas próprias falhas, e assim o mundo definha, e assim caminhamos, estando cada dia mais próximos do nosso fim…
A humanidade deu muitas voltas, busca até hoje um sentido diante de todas estas coisas pra viver: O Humanismo, o Niilismo, Naturalismo, e tantos outros ismos buscam dar as respostas, mas enquanto não reconhecermos que ser perfeito é impossível, enquanto não nos desesperarmos diante de nossa incapacidade e abrirmos mão de nosso orgulho, a história se repetirá, o pó é o que nos aguarda e, com seu frêmito impetuoso, a morte continuará ceifando a vida de gente desesperançada, pessoas frustradas por tudo que deixaram de fazer, sofrendo em silêncio ante o que consideram o fim, sem jamais ver um mundo perfeito que tensionavam construir ou ao menos ver, sem fome, sem miséria, pacífico, justo…
Há muito tempo já sabia o pregador (Ec. 12:8) “Vaidade de vaidades” (ou “tudo sem sentido! Sem sentido! “). Tudo é vaidade, tudo nessa vida passa, e o ciclo sempre vai se repetir, queiramos ou não.
Feliz é aquele que enxerga isso a tempo e ouve um homem que, após possuir todo tipo de glórias, ter aos seus pés as mais belas mulheres que se pode imaginar, gozar de sabedoria inimaginável e possuir todo tipo de riquezas, chegou a seguinte conclusão no fim de sua vida:

“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.”
Eclesiastes 12:13

Bruno

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