Os que buscam a Verdade

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CAPITULO 1 – CARÁTER PROVADO: QUEM É VOCÊ QUANDO NIGUÉM ESTÁ OLHANDO?

“Preocupe-se mais com o seu caráter do que com a sua reputação, porque o seu caráter é o que você realmente é, enquanto que a sua reputação é meramente o que os outros pensam que você é”.

John Wooden, falecido jogador e treinador de basquete

Quem nunca conheceu algum membro problemático na igreja local? Um músico que vive perdendo a hora, um vocalista que frequentemente ameaça sair, um tenor que mais falta aos ensaios do coral do que comparece, uma soprano chata que vive se opondo a mudanças…

Quem você escolheria entre um artista talentoso e problemático e um piedoso e sem talento? Deus quer ambos! Quem disse que não podemos ser os dois?

É nosso dever crescer diarimente, tanto em caráter quando em habilidade artística! Não que Deus queira de nós perfeição, mas sim um caráter coerente com a vida que Deus nos chamou para viver.

Aqui vai uma primeira pergunta feita por Rory [ênfase minha]: “Estamos nos tornando pessoas mais amorosas, ou estamos por demais absortos em nossa arte? Estamos amando ao Senhor com todo o nosso coração, alma, e mente, ou amamos mais cantar, tocar, interpretar e criar? As pessoas ao seu redor podem dizer que você é uma pessoa amorosa?

Temos uma consciência clara de como estamos vivendo nossas vidas? Somos pessoas honestas? Estamos tratando com o pecado em nossas vidas ou o estamos ocultando? Estamos vivendo como os que estão mortos para o pecado e vivos para Cristo, ou estamos cedendo aos prazeres passageiros do pecado? Estamos prestando contas uns aos outros de nossos pecados?”

Alguns de nós tentam esconder-se por detrás de seus talentos, negligenciando quem são por dentro, e não enxergam que quem somos por dentro é quem somos realmente. É por isso que Paulo diz que se esforça para “ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (At 24.16).

Quem somos nós quando ninguém está olhando?

Um cristão autêntico não se esconde atrás de máscaras como seu talento ou ministério, não encobre a sua dor! Um cristão de verdade admite seus conflitos, assume suas falhas e luta constantemente contra elas.

“Autênticidade não quer dizer que somos perfeitos, mas sim que somos verdadeiros.”

“Deus nunca desejou que o crescimento de nosso caráter fosse uma prioridade pequena. Todos devemos amadurecer espiritualmente “à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13). Devemos “crescer em tudo” em Cristo (Ef 4.15). Crescer em Cristo não quer dizer adquirirmos conhecimento intelectual. Significa crescermos em áreas como excelência moral, intimidade com Cristo, autocontrole e disciplina, perseverança, piedade, bondade e amor. “Porque estas coisas existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Pe 1.5-9). Esse é o tipo de material a partir do qual um caráter é construído.”

Por fim deixo novamente a pergunta feita anteriormente: Faça uma auto-crítica e se abra com Deus:

“Quem é você quando ninguém está olhando?”

Todas as citações acima foram tiradas do capitulo 1 do livro “O coração do artista”, de Rory Norland. O começo do livro foi disponibilizado pela editora na internet, portanto os respectivos trechos se encontram disponíveis para leitura.

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Por quê não acredito em milagres

Vivemos em tempos modernos não é mesmo? A ciência, com sua varinha de condão, nos dá a impressão de ter desmitificado praticamente tudo!

Como bem disse Heschel, hoje cremos de que todos os mistérios podem ser resolvidos, e que todo assombro não passa do “efeito que o novo imprime sobre a ignorância”. Com o tempo o novo perde a capacidade de nos impressionar. Ele assim conclui: “À medida que a civilização avança, o senso de assombro declina”.[1]

A falta de assombro de um cético me assombra menos do que a falta de assombro de tantos que se dizem cristãos diante de tanta miséria, pobreza, angústia, abandono, inércia das autoridades, e tantos outros males que, apesar de visíveis, são ignorados.

Como bem disse Lewis, se sua caridade não pesa nem um pouco em seus ombros, ela merece ser questionada… se você gasta o mesmo de quem não é cristão com coisas supérfluas, tem algo errado com a sua religião.[2]

Eu não acredito em milagres! Não acredito em gente que pede pra Deus mudar o Brasil e não coloca as mãos no arado! Gente que pede em favor dos pobres mas não colabora em nada! Alienados políticos, ativistas de banco, gente mais inerte do que muitos ateus que no papel não tem compromisso nenhum com o direito dos mais pobres, mas que dão a cara pra bater mesmo não tendo motivos aparentes!

Devemos fazer ação social! E não só nos limitar a ela, mas cobrar do Estado! Pois muitas vezes tais ações sociais são necessárias graças a incompetência e/ou a ausência do governo! A igreja não denuncia, prega contra o mundanismo mas se restringe a pequenas ações como “devolva o troco”, “não roube”, “não cole nas provas”! Deve sim se opor ao mundanismo, mas também deve se opor a omissão, a boca fechada, pois quem cala muitas vezes consente sim!

 

Me responda: Você já viu um candidato que recebeu orações (como se fosse só essa a intenção) em um púlpito voltar pra dar satisfação se eleito? Já viu algum pastor mobilizar os membros e organizar excursões pra uma plenária? Espero que existam, porque eu nunca vi! E se houvesse um sacerdote que fizesse isso, ainda assim duvido que haveria adesão…

Precisamos de um milagre pra doar pra missão mundial? Se precisa de um milagre pra dar um telefonema na assessoria de um vereador, um deputado, e cobrar serviço, pedir satisfação? Precisamos de um milagre pra tirar 5 minutos do nosso dia pra ligar pra alguém com quem não falamos faz tempo e oferecer um ombro amigo, perguntar se precisa de algo?

E boa parte dos parlamentares que se dizem evangélicos só advogam em função de interesses próprios! Parecem viver uma dicotomia: Somos nós e eles! Os escolhidos contra o mundo! Como se as pessoas fossem nossas inimigas! Jesus ensinou a amar o próximo sem distinções étnicas, culturais, políticas e até raciais! Logicamente a palavra nos diz que somos geração eleita, sacerdócio santo, que a luz não tem comunhão com as trevas, entretanto isso não nos livra de zelar pelo bem comum!

 

Não acredito nessa cambada de cantores gospel e pastores que dizem que um novo tempo vem sobre o Brasil, que um mover está pra acontecer, que o Brasil é de Jesus: É fácil realizar atos proféticos, difícil é fazer não é mesmo?

 

É por essas e outras que não acredito em milagres! Pelo menos não nos que estão ao nosso alcance, se é que você me entende.

Na busca pela verdade (e menos atos proféticos e mais atitudes)

Bruno

[1]Trecho retirado do livro “o evangelho maltrapilho” (Brennan Manning)

[2]Trecho retirado do livro “Cristianismo puro e simples” (C.S.Lewis)  

Marca para Buda

Publicado originalmente no blog apenas1.wordpress.com

Por Maurício Zágari

A moda de organizar marchas para Jesus conquistou o mundo. Recebi recentemente de um irmão querido que mora no Japão e acompanha o APENAS um vídeo de divulgação (abaixo) da versão nipônica desse evento, realizado em Nagoya. Pelo que vi, lá o acontecimento carrega traços bem semelhantes aos dos similares organizados em outros locais do planeta, inclusive no Brasil. Ao assistir ao vídeo e refletir sobre esse fenômeno, algumas perguntas brotaram em minha mente: qual é exatamente a finalidade de se realizar esse tipo de evento? Representa evangelismo? Leva à salvação de almas? Glorifica o Senhor? Traz benefícios para o reino de Deus? Meditei longamente sobre isso e meus pensamentos me levaram a uma interessante analogia.

Para muitos, a resposta é indiscutível: uma vez que se está falando de Jesus – e como a palavra de Deus não volta vazia – é evidente que pessoas serão tocadas, haverá conversões em massa, será uma grande celebração do povo cristão, com inegáveis benefícios para a Igreja e glorificação do nome de Deus. Em outras palavras, acreditam de forma arraigada que a Marcha para Jesus é o céu na terra. Já comprovei pessoalmente a intensidade da paixão dos fãs dssas iniciativas quando escrevi um post sobre o Festival Promessas, organizado pela TV Globo com a finalidade de promover os artistas gospel da gravadora da Globo, a Som Livre. Na ocasião, constatei que qualquer comentário que expresse oposição ou discordância desse tipo de evento vai gerar reações bem explosivas, apaixonadas e, até, belicosas, com adeptos desses eventos te ofendendo, dizendo que você não está fazendo nada pelo evangelho e eles sim, questionando quem é você para questionar (repetição proposital) iniciativas tão maravilhosas. Jesus está, para os defensores desses eventos, obviamente sendo proclamado e os benefícios são extraordinários. E se você diz que marchas para Jesus e festivais de música gospel promovidos pela TV Globo são meras articulações políticas e/ou comerciais, certamente você deve estar a serviço do Diabo ou no mínimo é um pecador carnal que deseja sabotar as grandes coisas que os políticos/artistas/empresários/líderes eclesiásticos que organizam tais manifestações querem promover por puro e desinteressado amor a Cristo.

Resolvi, então, fazer um exercício de imaginação. Suponha que, em vez da Marcha para Jesus, uma coalizão de líderes religiosos famosos, seguidores de Siddhartha Gautama, organizasse a Marcha para Buda. Assim, milhares e milhares de budistas, vestindo camisas e portando faixas glorificando Buda sairiam às ruas para celebrar que “o Brasil pertence a Buda”. Veríamos multidões andando sorridentes pelas avenidas, pontes e becos, batendo palmas, saltando, pulando e levantando as mãos. Haveria políticos budistas em cima dos carros de som conclamando a população a se unir em favor da ética e dos valores de seu livro sagrado, além de exaltar Buda com gritos e palavras de ordem. Ao longo de toda a programação, pessoas estrategicamente escolhidas fariam orações para que o país se rendesse a Buda.

Ainda nesse exercício de imaginação, cantores e bandas especializadas em interpretar músicas de louvor a Buda se apresentariam em um grande espetáculo de som e luz – e, para delírio dos participantes, o show seria transmitido em cadeia nacional de televisão. Evidentemente, aos olhos dos fãs, essa transmissão representaria a proclamação máxima de Buda, um inconteste e eficientíssimo evangelismo via satélite, que levaria legiões e legiões de pessoas a abraçar a fé budista. Seria um autêntico comício pró-Buda mesclado com uma espécie de “Rock in Rio budista”. Sacerdotes dessa religião (donos de empresas especializadas em vender produtos relacionados à sua fé) fariam um acordo com as emissoras de TV para anunciar nos intervalos. Em certos momentos, haveria coreografias semelhantes à dança aeróbica, as pessoas dariam as mãos e gritariam que “Buda ama o Brasil”. Trenzinhos. Gente chorando. Pessoas pulando. Festa total. Quem tivesse acesso ao microfone conclamaria os participantes a “profetizar sobre a nação” ou a “tomar posse” dela. Aos gritos, estimularia o povo presente a declarar que “o país pertence ao senhor Buda”. Usariam totalmente fora de contexto uma passagem do livro “A Doutrina de Buda” em que uma divindade budista prometeria a um de seus generais-profetas que “todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês” para, ferindo toda a boa hermenêutica, garantir que o Brasil pertence a Buda – já que os budistas puseram os pés em solo brasileiro e tomaram posse do solo tupiniquim.

Na ocasião, muitos diriam, ainda, que aquela aglomeração de gente era o prenúncio de um grande avivamento budista que varreria o Brasil. Aliás, muitas pessoas na plateia estariam enroladas na bandeira brasileira. Organizadores exibiriam em gigantescos telões depoimentos motivacionais de gente famosa dizendo que aquilo não era só mais uma marcha, mas “um ato profético, um decreto, porque a hora do avivamento chegou”. Outros, contrariando totalmente o conceito correto de avivamento, diriam: “Não vamos esperar o avivamento chegar, mas vamos fazer o avivamento”, sob urros animados dos participantes emocionados. Ao final, todos voltariam felizes e cansados para suas casas, com a certeza de que Buda fora glorificado e que muitas vidas abandonariam o cristianismo, o islamismo, o espiritismo e o ateísmo para abraçar o budismo, graças àquele magnífico e sobrenatural evento. Pelo caminho, levariam suas faixas dizendo “Rio de Janeiro para Buda”, com a certeza absoluta de que aqueles dizeres mudaram a vida de centenas de pessoas que os leram. Talvez milhares.

Claro que no dia seguinte tudo continuaria igual na cidade e na nação – com exceção das muitas pessoas que estariam reclamando dos engarrafamentos provocados pela Marcha para Buda, dos políticos que ganharam muita visibilidade (e votos) e dos empresários que faturaram rios de dinheiro com vendas, anúncios e promoção de artistas.

Naturalmente, essa é uma situação que nunca aconteceu. Nunca vi marchas para Buda, marchas para Alá ou marchas para Iemanjá. Parece que a única fé que vê benefícios nesse tipo de evento é a cristã. Mas fico imaginando se essa ficção de fato acontecesse. Caso eu comparecesse por qualquer razão à Marcha para Buda, me pergunto se abandonaria Jesus porque presenciei uma passeata-show de outra religião. Ou, se visse pela TV, me questiono se ver aquilo me levaria a pensar algo como “realmente, com tantas pessoas falando tanto de Buda, creio que devo me converter ao budismo. Afinal, foram milhares de budistas reunidos”. Em suma, penso muito se eu, como fiel de outra religião, mudaria totalmente minhas crenças porque assisti a uma marcha dessa tal religião. E, finda a analogia, me pergunto se tudo isso se aplica à Marcha para Jesus.

A essa altura, alguém poderia argumentar que estou desprezando a graça de Cristo. Afinal, Jesus salva de modo sobrenatural, uma vantagem com que as outras religiões não contam. Ok, concordo. Jesus salva sobrenaturalmente por meio da graça, Buda não. Só que aí eu pensaria: mas a graça não alcança também no evangelismo pessoal? Se, em vez de dedicar um dia inteiro para ficar passeando sob olhares incomodados ou indiferentes dos não cristãos, cantando e pulando em uma marcha-show dessas, cada um dos milhares de presentes investisse o mesmo tempo para compartilhar o evangelho face a face com alguma pessoa… não haveria muito mais conversões? Não é estatístico que as pessoas se convertem a Cristo muito mais pelo convívio e pela pregação de um cristão do que em grandes eventos? Então não seria muito mais lógico que toda a fortuna investida nessas marchas fosse devotada a uma grande campanha de estímulo à evangelização pessoal? Para usar uma linguagem bem mercadológica, o custo/benefício não seria muito maior?

A resposta é óbvia. Só que evangelismo pessoal não gera mídia. Não faz o evangelista anônimo aparecer no Jornal Nacional. Não ajuda a vender produtos gospel no intervalo. Não dá oportunidade a políticos de serem vistos por milhares de eleitores. Não permite divulgar artistas da sua gravadora em horário nobre. Evangelismo pessoal só rende uma coisa: salvação de almas. Só que almas salvas não ajudam a vender nada nem a eleger ninguém. Então… façamos marchas e shows gospel.

Sim, eu sei que a essa altura muitos estão me achando um servo de Satanás (onde já se viu comparar a sacrossanta Marcha para Jesus a uma pagã Marcha para Buda!). Peço perdão a você por essa heresia e conto com a sua paciência. Pois o fato é que sou um cristão à moda antiga, do tipo que acredita na pregação pelo exemplo pessoal, na proclamação homem a homem, na mensagem da cruz e não do palco, na graça de um Deus que não precisa de raios laser, holofotes, faixas, banners ou passeatas. Creio naquela ideia ultrapassada de que as passagens bíblicas devem ser entendidas a partir de seu contexto, na ideia estranha para nossos dias de que fé e política partidária não deveriam se misturar. Sim, eu sei que sou antiquado. Mas é interessante não seguir a moda. Afinal, evangelho sempre foi e sempre será contracultura, nadar contra a corrente, fazer o contrário do que o mundo faz. E marchas para Jesus e “rock in rio gospels” são diferentes do mundo em que mesmo? Ah, sim, usam o nome de Deus. Se usam em vão ou não só o tempo dirá…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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