Os que buscam a Verdade

Busquem e encontrarão.

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Por quê não acredito em milagres

Vivemos em tempos modernos não é mesmo? A ciência, com sua varinha de condão, nos dá a impressão de ter desmitificado praticamente tudo!

Como bem disse Heschel, hoje cremos de que todos os mistérios podem ser resolvidos, e que todo assombro não passa do “efeito que o novo imprime sobre a ignorância”. Com o tempo o novo perde a capacidade de nos impressionar. Ele assim conclui: “À medida que a civilização avança, o senso de assombro declina”.[1]

A falta de assombro de um cético me assombra menos do que a falta de assombro de tantos que se dizem cristãos diante de tanta miséria, pobreza, angústia, abandono, inércia das autoridades, e tantos outros males que, apesar de visíveis, são ignorados.

Como bem disse Lewis, se sua caridade não pesa nem um pouco em seus ombros, ela merece ser questionada… se você gasta o mesmo de quem não é cristão com coisas supérfluas, tem algo errado com a sua religião.[2]

Eu não acredito em milagres! Não acredito em gente que pede pra Deus mudar o Brasil e não coloca as mãos no arado! Gente que pede em favor dos pobres mas não colabora em nada! Alienados políticos, ativistas de banco, gente mais inerte do que muitos ateus que no papel não tem compromisso nenhum com o direito dos mais pobres, mas que dão a cara pra bater mesmo não tendo motivos aparentes!

Devemos fazer ação social! E não só nos limitar a ela, mas cobrar do Estado! Pois muitas vezes tais ações sociais são necessárias graças a incompetência e/ou a ausência do governo! A igreja não denuncia, prega contra o mundanismo mas se restringe a pequenas ações como “devolva o troco”, “não roube”, “não cole nas provas”! Deve sim se opor ao mundanismo, mas também deve se opor a omissão, a boca fechada, pois quem cala muitas vezes consente sim!

 

Me responda: Você já viu um candidato que recebeu orações (como se fosse só essa a intenção) em um púlpito voltar pra dar satisfação se eleito? Já viu algum pastor mobilizar os membros e organizar excursões pra uma plenária? Espero que existam, porque eu nunca vi! E se houvesse um sacerdote que fizesse isso, ainda assim duvido que haveria adesão…

Precisamos de um milagre pra doar pra missão mundial? Se precisa de um milagre pra dar um telefonema na assessoria de um vereador, um deputado, e cobrar serviço, pedir satisfação? Precisamos de um milagre pra tirar 5 minutos do nosso dia pra ligar pra alguém com quem não falamos faz tempo e oferecer um ombro amigo, perguntar se precisa de algo?

E boa parte dos parlamentares que se dizem evangélicos só advogam em função de interesses próprios! Parecem viver uma dicotomia: Somos nós e eles! Os escolhidos contra o mundo! Como se as pessoas fossem nossas inimigas! Jesus ensinou a amar o próximo sem distinções étnicas, culturais, políticas e até raciais! Logicamente a palavra nos diz que somos geração eleita, sacerdócio santo, que a luz não tem comunhão com as trevas, entretanto isso não nos livra de zelar pelo bem comum!

 

Não acredito nessa cambada de cantores gospel e pastores que dizem que um novo tempo vem sobre o Brasil, que um mover está pra acontecer, que o Brasil é de Jesus: É fácil realizar atos proféticos, difícil é fazer não é mesmo?

 

É por essas e outras que não acredito em milagres! Pelo menos não nos que estão ao nosso alcance, se é que você me entende.

Na busca pela verdade (e menos atos proféticos e mais atitudes)

Bruno

[1]Trecho retirado do livro “o evangelho maltrapilho” (Brennan Manning)

[2]Trecho retirado do livro “Cristianismo puro e simples” (C.S.Lewis)  

Marca para Buda

Publicado originalmente no blog apenas1.wordpress.com

Por Maurício Zágari

A moda de organizar marchas para Jesus conquistou o mundo. Recebi recentemente de um irmão querido que mora no Japão e acompanha o APENAS um vídeo de divulgação (abaixo) da versão nipônica desse evento, realizado em Nagoya. Pelo que vi, lá o acontecimento carrega traços bem semelhantes aos dos similares organizados em outros locais do planeta, inclusive no Brasil. Ao assistir ao vídeo e refletir sobre esse fenômeno, algumas perguntas brotaram em minha mente: qual é exatamente a finalidade de se realizar esse tipo de evento? Representa evangelismo? Leva à salvação de almas? Glorifica o Senhor? Traz benefícios para o reino de Deus? Meditei longamente sobre isso e meus pensamentos me levaram a uma interessante analogia.

Para muitos, a resposta é indiscutível: uma vez que se está falando de Jesus – e como a palavra de Deus não volta vazia – é evidente que pessoas serão tocadas, haverá conversões em massa, será uma grande celebração do povo cristão, com inegáveis benefícios para a Igreja e glorificação do nome de Deus. Em outras palavras, acreditam de forma arraigada que a Marcha para Jesus é o céu na terra. Já comprovei pessoalmente a intensidade da paixão dos fãs dssas iniciativas quando escrevi um post sobre o Festival Promessas, organizado pela TV Globo com a finalidade de promover os artistas gospel da gravadora da Globo, a Som Livre. Na ocasião, constatei que qualquer comentário que expresse oposição ou discordância desse tipo de evento vai gerar reações bem explosivas, apaixonadas e, até, belicosas, com adeptos desses eventos te ofendendo, dizendo que você não está fazendo nada pelo evangelho e eles sim, questionando quem é você para questionar (repetição proposital) iniciativas tão maravilhosas. Jesus está, para os defensores desses eventos, obviamente sendo proclamado e os benefícios são extraordinários. E se você diz que marchas para Jesus e festivais de música gospel promovidos pela TV Globo são meras articulações políticas e/ou comerciais, certamente você deve estar a serviço do Diabo ou no mínimo é um pecador carnal que deseja sabotar as grandes coisas que os políticos/artistas/empresários/líderes eclesiásticos que organizam tais manifestações querem promover por puro e desinteressado amor a Cristo.

Resolvi, então, fazer um exercício de imaginação. Suponha que, em vez da Marcha para Jesus, uma coalizão de líderes religiosos famosos, seguidores de Siddhartha Gautama, organizasse a Marcha para Buda. Assim, milhares e milhares de budistas, vestindo camisas e portando faixas glorificando Buda sairiam às ruas para celebrar que “o Brasil pertence a Buda”. Veríamos multidões andando sorridentes pelas avenidas, pontes e becos, batendo palmas, saltando, pulando e levantando as mãos. Haveria políticos budistas em cima dos carros de som conclamando a população a se unir em favor da ética e dos valores de seu livro sagrado, além de exaltar Buda com gritos e palavras de ordem. Ao longo de toda a programação, pessoas estrategicamente escolhidas fariam orações para que o país se rendesse a Buda.

Ainda nesse exercício de imaginação, cantores e bandas especializadas em interpretar músicas de louvor a Buda se apresentariam em um grande espetáculo de som e luz – e, para delírio dos participantes, o show seria transmitido em cadeia nacional de televisão. Evidentemente, aos olhos dos fãs, essa transmissão representaria a proclamação máxima de Buda, um inconteste e eficientíssimo evangelismo via satélite, que levaria legiões e legiões de pessoas a abraçar a fé budista. Seria um autêntico comício pró-Buda mesclado com uma espécie de “Rock in Rio budista”. Sacerdotes dessa religião (donos de empresas especializadas em vender produtos relacionados à sua fé) fariam um acordo com as emissoras de TV para anunciar nos intervalos. Em certos momentos, haveria coreografias semelhantes à dança aeróbica, as pessoas dariam as mãos e gritariam que “Buda ama o Brasil”. Trenzinhos. Gente chorando. Pessoas pulando. Festa total. Quem tivesse acesso ao microfone conclamaria os participantes a “profetizar sobre a nação” ou a “tomar posse” dela. Aos gritos, estimularia o povo presente a declarar que “o país pertence ao senhor Buda”. Usariam totalmente fora de contexto uma passagem do livro “A Doutrina de Buda” em que uma divindade budista prometeria a um de seus generais-profetas que “todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês” para, ferindo toda a boa hermenêutica, garantir que o Brasil pertence a Buda – já que os budistas puseram os pés em solo brasileiro e tomaram posse do solo tupiniquim.

Na ocasião, muitos diriam, ainda, que aquela aglomeração de gente era o prenúncio de um grande avivamento budista que varreria o Brasil. Aliás, muitas pessoas na plateia estariam enroladas na bandeira brasileira. Organizadores exibiriam em gigantescos telões depoimentos motivacionais de gente famosa dizendo que aquilo não era só mais uma marcha, mas “um ato profético, um decreto, porque a hora do avivamento chegou”. Outros, contrariando totalmente o conceito correto de avivamento, diriam: “Não vamos esperar o avivamento chegar, mas vamos fazer o avivamento”, sob urros animados dos participantes emocionados. Ao final, todos voltariam felizes e cansados para suas casas, com a certeza de que Buda fora glorificado e que muitas vidas abandonariam o cristianismo, o islamismo, o espiritismo e o ateísmo para abraçar o budismo, graças àquele magnífico e sobrenatural evento. Pelo caminho, levariam suas faixas dizendo “Rio de Janeiro para Buda”, com a certeza absoluta de que aqueles dizeres mudaram a vida de centenas de pessoas que os leram. Talvez milhares.

Claro que no dia seguinte tudo continuaria igual na cidade e na nação – com exceção das muitas pessoas que estariam reclamando dos engarrafamentos provocados pela Marcha para Buda, dos políticos que ganharam muita visibilidade (e votos) e dos empresários que faturaram rios de dinheiro com vendas, anúncios e promoção de artistas.

Naturalmente, essa é uma situação que nunca aconteceu. Nunca vi marchas para Buda, marchas para Alá ou marchas para Iemanjá. Parece que a única fé que vê benefícios nesse tipo de evento é a cristã. Mas fico imaginando se essa ficção de fato acontecesse. Caso eu comparecesse por qualquer razão à Marcha para Buda, me pergunto se abandonaria Jesus porque presenciei uma passeata-show de outra religião. Ou, se visse pela TV, me questiono se ver aquilo me levaria a pensar algo como “realmente, com tantas pessoas falando tanto de Buda, creio que devo me converter ao budismo. Afinal, foram milhares de budistas reunidos”. Em suma, penso muito se eu, como fiel de outra religião, mudaria totalmente minhas crenças porque assisti a uma marcha dessa tal religião. E, finda a analogia, me pergunto se tudo isso se aplica à Marcha para Jesus.

A essa altura, alguém poderia argumentar que estou desprezando a graça de Cristo. Afinal, Jesus salva de modo sobrenatural, uma vantagem com que as outras religiões não contam. Ok, concordo. Jesus salva sobrenaturalmente por meio da graça, Buda não. Só que aí eu pensaria: mas a graça não alcança também no evangelismo pessoal? Se, em vez de dedicar um dia inteiro para ficar passeando sob olhares incomodados ou indiferentes dos não cristãos, cantando e pulando em uma marcha-show dessas, cada um dos milhares de presentes investisse o mesmo tempo para compartilhar o evangelho face a face com alguma pessoa… não haveria muito mais conversões? Não é estatístico que as pessoas se convertem a Cristo muito mais pelo convívio e pela pregação de um cristão do que em grandes eventos? Então não seria muito mais lógico que toda a fortuna investida nessas marchas fosse devotada a uma grande campanha de estímulo à evangelização pessoal? Para usar uma linguagem bem mercadológica, o custo/benefício não seria muito maior?

A resposta é óbvia. Só que evangelismo pessoal não gera mídia. Não faz o evangelista anônimo aparecer no Jornal Nacional. Não ajuda a vender produtos gospel no intervalo. Não dá oportunidade a políticos de serem vistos por milhares de eleitores. Não permite divulgar artistas da sua gravadora em horário nobre. Evangelismo pessoal só rende uma coisa: salvação de almas. Só que almas salvas não ajudam a vender nada nem a eleger ninguém. Então… façamos marchas e shows gospel.

Sim, eu sei que a essa altura muitos estão me achando um servo de Satanás (onde já se viu comparar a sacrossanta Marcha para Jesus a uma pagã Marcha para Buda!). Peço perdão a você por essa heresia e conto com a sua paciência. Pois o fato é que sou um cristão à moda antiga, do tipo que acredita na pregação pelo exemplo pessoal, na proclamação homem a homem, na mensagem da cruz e não do palco, na graça de um Deus que não precisa de raios laser, holofotes, faixas, banners ou passeatas. Creio naquela ideia ultrapassada de que as passagens bíblicas devem ser entendidas a partir de seu contexto, na ideia estranha para nossos dias de que fé e política partidária não deveriam se misturar. Sim, eu sei que sou antiquado. Mas é interessante não seguir a moda. Afinal, evangelho sempre foi e sempre será contracultura, nadar contra a corrente, fazer o contrário do que o mundo faz. E marchas para Jesus e “rock in rio gospels” são diferentes do mundo em que mesmo? Ah, sim, usam o nome de Deus. Se usam em vão ou não só o tempo dirá…

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

Jesus te ama!

Frase bem conhecida essa que ilustra o título deste artigo não é mesmo? Bem clichê pra ser sincero, aliás a própria palavra clichê perdeu seu sentido no decorrer dos anos: Originalmente ela é um termo de origem francesa usado para nomear um objeto interessante, uma matriz tipográfica que se repetia indefinidamente, era sinônimo de praticidade, uma repetição útil! Mas hoje em dia nada mais é do que uma uma frase preguiçosamente repetida.

Muitas outras frases poderiam entrar nessa descrição, quem nunca ouviu um Jesus te ama não é mesmo? Ou até um “você não vai sair daqui da mesma forma que entrou”, “D-s vai mudar a sua história”, e tantos outros que vocês devem conhecer melhor do que eu…

Bem, minha crítica não vai de encontro as expressões propriamente ditas (o que seria de nós sem o amor incondicional de Jesus não é mesmo? Também creio que D-s muda histórias), mas sim no que se encontra implicito nelas: O comodismo, a conveniência atrelada as repetições, ao instantâneo, ao pronto, reflexo da cultura em que vivemos hoje, que prioriza o prático, a facilidade, uma geração “fast-food”. Isso então me leva a perguntar: Existe algum esforço mental empregado nesses chavões ou eles não se tratan de nada além de que um simples CtrlC + CtrlV? (que nunca usou um desses hein!) Vou até mais além: Boa parte dessas frases são resultado do ambiente evangélico radicalmente antropocentrico (centrado no homem) e pobre muitas vezes em cristocentrismo e teocentrismo (leia as escrituras como um todo e comprove se D-s não se encontra presente em quase tudo, veja se as escrituras que nos foram deixadas são antropocêntricas ou teocentricas).

É triste afirmar, mas muitos de nós por muitas vezes (a começar deste que vos escreve) não buscam se comprometer em conhecer e obedecer o evangelho, e assim não passam de um envolvimento raso, superficial, ralo, liso, e assim nós buscamos diversas vezes apenas comodidade, caímos muitas vezes na armadilha do conformismo, da mesmisse. Todos os cristãos tem algum tipo de envolvimento raso com o evangelho, mas nem todos tem comprometimento. Todos os cristãos desejam um salvador, mas nem todos um Senhor.

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor! Busquemos obedecer!

Que D-s abençoe ao irmão Gerson Borges com seu texto “cristianismo clichê” e a Jesus e sua parábola do semeador, bem como as notinhas de rodapé da minha surrada biblia de estudos pentecostal da CPAD! Vamos dar crédito a que merece não é mesmo? Pare e reflita! Vamos com um clichê bem legal pra encerrar: Leia bons livros!

Na busca pela verdade, pare e reflita!

Bruno Vilela

Jesus: Senhor ou senhor?

Recentemente, ao ler uma obra de C.S.Lewis, me deparei com um raciocínio bem interessante, sobre o significado da palavra Gentleman.

Na época de Lewis, a palavra Gentleman significava nada mais do que uma pessoa honrada, corajosa, cortês, um adjetivo bastante nobre pelo que podemos enxergar. Porém o significado histórico, a verdadeira serventia dessa palavra era bem mais diferente num passado mais remoto: Gentleman era alguém que exibia um brasão, sendo também um senhor de terras.

Tal palavra não era nem de longe um adjetivo, um elogio,sua utilidade era a de descrever simplesmente um fato, uma posição. O que aconteceu ao longo dos anos? A palavra Gentleman simplesmente perdeu o significado, não se trata mais de uma forma de simplesmente dar uma informação a seu respeito de alguém, mas sim de uma forma de elogiá-lo, sendo que já existem palavras o suficiente a serem usadas para esse fim, dessa forma não precisávamos de mais uma para expressar um elogio.[1]

Diante disto gostaria de deixar-lhes um versículo (Rm. 10:9), sendo que assim dizia Paulo:

” A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. ”

Parafraseando o que disse C.S. Lewis:  A palavra Senhor simplesmente perdeu o significado (pelo menos para muitos que se julgam cristãos, sem querer generalizar é claro), não se trata mais de uma forma de dar uma informação a respeito de alguém, mas sim uma tipo de elogio, sendo que já existem palavras o suficiente que podem ser usadas para esse fim, dessa forma não precisávamos de mais uma para expressar um elogio.

A palavra senhor é um tratamento dado por cortesia a qualquer homem a quem ou de quem se fala ou escreve e que se usa só ou anteposto ao nome: Ex.: Fale, senhor Fulano. Que disse o senhor?, ou até como um título honorífico [2], mas Paulo, ao descrever Jesus como Senhor, tinha em mente algo muito distinto deste significado: A palavra “Senhor” (grego “Kyrios”) significa aquele que tem o poder, o domínio, a autoridade e o direito de mandar. [3]

Aceitar Jesus como sendo Senhor é declarar que ele é igual a Deus (Jo. 20:28; At. 2:36; Hb 1:10;), digno de poder (Ap. 5:12) e, dentre tantas outras coisas as quais devemos reconhecer, é obedecê-lo (Jo. 14:21), nos submentendo a ele, a semelhança da atitude que o próprio Jesus tomou diante do Pai, sendo obediente ao Senhor em forma de homem até a morte, e morte de cruz (Fp. 2:5 ao 11).[3]

Não há como ser salvo sem reconhecer a Jesus como Senhor! Mas o que temos feito dessa palavra? O Senhor Jesus tem tido a relevância que lhe é devida em nossas vidas ou simplesmente perdeu seu significado ao longo dos anos, sendo distorcido ao nosso bel prazer como sendo um garoto de recados, ou até um “abracadabra”, através do qual todos os nossos problemas se dissiparão da noite para o dia? Nossas atitudes, a plenitude de nossa vida, tem confessado que servimos ao Senhor Jesus? Temos obedecido? Temos nos submetido a sua autoridade e poder, ou andado conforme nossa própria concupiscência?

Quem tem sido Jesus pra você: senhor ou Senhor?

Na busca pela verdade
Bruno Vilela

Fontes:

[1] Lewis, C.S.; Cristianismo puro e simples, pg. 6;

[2] Dicionário online Michaelis;

[3] CPAD, Bíblia de estudos pentecostal (Almeida revista e corrigida);

O que realmente esperamos ver quando vamos à igreja?

Há poucos dias comecei a pensar sobre a motivação com que vamos à igreja ou desempenhamos alguma tarefa nos cultos, pensando sobre isso fui levado à outra pergunta que entendo que sem ter clareza para respondê-la talvez se torne impossível chegar a uma conclusão solida sobre qualquer motivação, e a pergunta que faço é: O que esperamos ver quando vamos à igreja?

Muitas vezes vemos pessoas empolgadas em ir à igreja, mas com o passar do tempo o que antes era um conforto de espírito, agora mais parece um fardo. As pessoas vão perdendo a paixão e já não se sentem mais motivadas, acabou o “primeiro amor”, mas será que simplesmente foi isso que aconteceu? A questão é sobre o esfriamento do amor ou é sobre o amor estar empregado nas coisas erradas?

Hoje tenho visto uma igreja que tem se preocupado demais com as coisas erradas e esquecido da essência do Culto. Muitas pessoas estão mais preocupadas com:
A forma de culto: Afinal tudo deve ter uma ordem, seguir uma sequência;
O tema da mensagem: Se a mensagem será sobre prosperidade ou vitória. Por que importa que seja falado sobre o que eu quero ouvir e não o que eu preciso ouvir;
Quais músicas serão cantadas: se serão as ultimas novidades das rádios, se serão do meu estilo predileto e
O horário de término do culto: Por que não posso desperdiçar meu precioso tempo, qualquer minuto me fará falta.

Na minha visão essa postura indica um grave erro: vamos à igreja simplesmente para ASSISTIR um culto. Em muitas partes podemos ver o culto hoje como simplesmente um programa de televisão, que visa à audiência e a fidelidade de um determinado público. Durante muito tempo vivi essa expectativa de telespectador, mesmo participando ativamente dentro dos cultos, ainda que não percebesse, ou melhor, que não admitisse.

Percebi isso a cerca de dois anos quando iniciei uma faculdade na área de Radio e TV e comecei a pensar sobre como as coisas que estava aprendendo na faculdade poderiam ser usadas nos cultos. Após algum tempo ainda com esse pensamento, fui confrontado quando vi que o culto não era pra ser assistido e sim para ser uma oferta. O culto nunca foi e não pode ser simplesmente para fazer bem ou nos distrair das nossas preocupações, ou seja, um entretenimento. Antes é necessário que ao participarmos de um culto tenhamos um encontro real com o Criador de modo que a presença Dele se manifeste através de nós criando transformação em nossas vidas.

Outra postura que infelizmente tenho visto com frequência acontece quando as pessoas veem a igreja simplesmente na expectativa de receber uma benção.

Quem nunca ouviu frases como: “Hoje vou buscar minha benção” – normalmente dito por uma pessoa que se dirige a igreja para um culto e “Venha ser abençoado!” – escrito em uma placa que tem os horários de cultos. Entre muitas outras frases que poderiam ser citadas, mas que com certeza você já leu em algum lugar.

Considero essa visão tão ou mais perigosa do que a de espectadores, pois acaba gerando uma igreja muito preocupada com a vida terrena e que tenta a todo custo esquecer a mensagem de Jesus. Que nunca nos prometeu uma vida tranquila, mas que nos assegurou que devemos manter o nosso tesouro no Céu, onde as ferrugens não corroem e nem os ladrões roubam. Mas infelizmente essa postura tem acontecido com frequência na igreja e que tem gerado “ovelhas mimadas”, pois prega que realmente somos reconhecidos como Filhos de Deus quando tudo na nossa vida está prosperando e não passamos por problemas, até sei e confio que todas as coisas são de Deus e que ele nos abençoa de maneira transbordante quando entregamos nossas vidas na não Dele, mas também é uma verdade que a maior de todas as bênçãos ele já nos entregou quando mandou Jesus para nos garantir a vida eterna, não podemos depender do resto para garantir nossa felicidade.
Nossa postura deve ser completa e nos alegrarmos não nas situações ou circunstâncias, por que todas elas mudam alguma hora, mas temos que ter a nossa alegria em saber que DEUS nos amou e nos ama mesmo que não mereçamos, pois isso nunca mudará! A meu ver podemos identificar pelo menos três modelos de cultos:
1. O televisivo.
2. O mercado.
3. E por ultimo um que ainda não citamos que é o culto que acontece desde a eternidade, pois a bíblia nos diz que nos céus existe um culto que não termina e que a todo o momento seres celestiais se encontram diante do trono de DEUS e o adoram não preocupados com a métrica dessa adoração, tão pouco com o tempo gasto para isso e nem o fazem por simples interesse, antes compreendem que o Rei merece ser adorado de forma incessante, pois, Ele é digno.

Talvez fora esses modelos de culto você deva conhecer muitos outros, mas a intenção não era falarmos de todos os modelos de cultos e sim do ultimo, pois entendo que nossa vida terrena dentre outras coisas é como uma espécie de vestibular, onde escolheremos para onde queremos ir, neste caso não estamos escolhendo coisas simples comoa “universidade” ou o “curso que estudaremos”, porem só existem duas opções Céu ou Inferno. A forma com que nos portamos nos cultos pode dizer muitas coisas a respeito do que esperamos para a eternidade. Meu desejo é que a partir desse texto você possa fazer uma avaliação da sua vida e olhando pra dentro do seu coração veja onde os caminhos que você tem trilhado estão te levando. Que nós Igreja do SENHOR não sejamos como as virgens insensatas citadas em Mateus capítulo 25 que quando o Noivo veio ao seu encontro estavam com suas lâmpadas apagadas, pois o óleo havia acabado, mas pelo contrario que sejamos como a noiva citada em Ap.21.2: “E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo”   uma noiva aguarda ansiosamente as Bodas do Cordeiro para que ELE se alegre em nós.

Na busca pela verdade.
Tiago Henrique Salce

Falte a igreja neste domingo…

julgoTenho nestes anos todos observado que existe um grupo grande de crentes que têm pouca ou nenhuma alegria em viver. A vida é vivida como uma carga a ser levada pela alma. Nada tem graça.Nada é de Deus e não estou falando apenas dos nossos queridos fundamentalistas conservadores ou pentecostais. Falo de pessoas que estão em qualquer denominação e que se culpam por estarem alegres e pensam que a vida sendo vivida com risos e brincadeiras, estará sendo espiritualmente desperdiçada. Um grupo que sente culpa e medo de Deus, caso fique um domingo em casa cumprindo o mandamento do Senhor (“descansar um dia por semana”).

Indivíduos formam grupos e grupos formam igrejas e assim algumas igrejas passam a ser um hospital do qual ninguém recebe alta, nunca! Pessoas chegam doentes e ali permanecem se não doentes, ao menos com a cara daqueles. Jesus veio para os doentes, mas para curá-los, não perpetuá-los. Outros chegam não tão doentes e, passados alguns anos, estão na UTI…

Neste contexto, para tais cristãos o serviço ao Senhor passa a ser pesado, um fardo a ser carregado, debulhando-se em lágrimas. Mas, não deveria ser leve?

Quantas vezes eu já chorei! E penso que muitas outras vezes chorarei pela minha vida, pela de alguém querido ou pela Obra de Deus que não é realizada adequadamente. A vida nos faz sofrer. Ver uma igreja morrendo ou um trabalho sendo destruído nos faz sofrer. Lágrimas, companheira de todos. Entretanto, uma coisa é o sofrimento estar presente, outra é o sofrimento ser parte integrante e indissolúvel da vida da igreja e da vida daqueles que fazem a Obra de Deus.

Já ouvi algumas vezes esposas de pastores, por exemplo, rezando a prece das coitadas: “Ah… Como a gente sofre por ser esposa de pastor… Coitadas de nós, pobres sofredoras…”. Quanto peso, quanta dor, quanto sofrimento… Quanta carga assumida… Neste caso, específico dos cônjuges de vocacionados, percebo que realmente haja um conflito maior dentre elas, uma vez que sofrem uma expectativa anacrônica por parte de algumas igrejas. Ou seja, tais “esposas pastorais”, participantes em um mundo o qual foi conquistada pelas mulheres (independência psicológica, financeira, intelectual e profissional) mas por vezes igrejas fantasiam que a esposa do pastor deva ser uma co-pastora, ou seja, uma profissional que é quase tão responsável quanto ele pelo “sucesso” dos trabalhos e pela manutenção da ordem institucional, entretanto, sem fazer jus a qualquer remuneração.

Se observarmos friamente as escrituras, perceberemos que as esposas dos líderes do antigo e do novo testamento eram em sua maioria figuras inexpressivas ou, no máximo, coadjuvantes e muitas sequer são citadas. Não é adequado impor sobre as esposas dos vocacionados expectativas que vão além de mãe, esposa, e profissional. Quem é o “contratado de Deus ” para a instituição é ele, o vocacionado. Para muitas esposas de vocacionados, a Obra do Senhor converte-se num martírio.

Retornemos ao ponto focal. Muitas pessoas, crentes, honradas, honestas e sinceras diante de Deus, não raro, sentem-se escravizadas pela instituição, pelo horário do culto e pela manutenção física da agenda igreja.

Assim, para muitos, ir à igreja não é um prazer, mas uma obrigação. São, assim, ou possuídas de pavor por não irem ao culto, ou possuídas de sentimento de culpa, a qual não deixa uma pessoa viver emocionalmente saudável. O correto seria ir à igreja porque é bom louvar, mas não por constrangimento. Obrigação, neste caso, é do pastor apenas.

Podemos perceber muitos pastores não colaboram com a saúde mental e emocional de seus liderados, impondo sobre eles excessiva carga com grande dose de exigência, impondo presença em vários trabalhos. Pastores que não têm nada mais o que fazer, além de ser pastor, e pensam que seus membros não trabalham, não possuem família, não merecem descanso e lazer, que não vivem.

O pastor deve ser o primeiro a estimular as famílias a tirarem pequenas férias ou fazerem pequenos passeios fez ou outra: um domingo de pic-nic numa cachoeira: Qual é o ser humano que não necessita disto? Mas domingo? Não, domingo não é o dia do descanso! Aliás, Deus equivocou-se quando instituiu um dia para o descanso, ele errou, deveria ter sim instituído um dia para o “trabalho na igreja”, assim como alguns, sabiamente, têm feito com suas ovelhas.

“_ Que descanse no sábado!
_ Mas pastor, sábado é o dia que tenho para cuidar dos afazeres da casa, consertar o carro, pregar o varal, comprar roupas com meus filhos…
_ Azar, seu mundano.”

Excesso de exigências tira a alegria. Muita carga cansa… Exigências pastorais ou auto – exigências provocam estresse e depressão… O serviço deixa de ser alegria e prazer, mas a obra torna-se pesada e para muitos vira obrigação. Adeus alegria no Senhor!

Meu sonho? Que os pastores passem a estimular as famílias e descansarem ao menos uma vez por mês, separando um domingo para lazer, descanso e comunhão, pois sucesso pastoral não é apenas uma igreja cheia, mas, sobretudo, uma igreja com pessoas emocionalmente saudáveis e que se alegram em estarem ali, cultuando espontaneamente.

Dar liberdade aos cristãos funciona? Bem, se Deus e Jesus fez assim, eu cri que funcionasse e assim tenho dirigido meu rebanho. Um rebanho que não existia a quatro anos atrás. De zero, hoje somos 80 membros, ativos, felizes e espontaneamente trabalhadores, sem pressão eclesial… Ovelhas que geram ovelhas, naturalmente, crescendo, como qualquer corpo saudável cresce…

Sim, Paulo está certo: “…foi para a liberdade que Cristo vos libertou”.
Sim, os religiosos estão errados, “…pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los…”

por Luciano Maia (link original aqui)

Na busca pela verdade.

Sempre a mesma coisa?

Porque será que as músicas cristãs costumam falar quase sempre sobre a mesma coisa?
Dê uma olhada na letra da música nº1 indicada no site da Rádio Vida em dezembro de 2011:

Deus criador – Cantor PG

Aonde buscarei socorro
Se não em ti, senhor
Todas as evidências me disseram não
Nem o mais sábio deste mundo pôde me curar
Levanto a minha voz e grito
Socorre-me, senhor

Deus criador
Que me fez nascer
Todo poder está em tuas mãos
Ouça o clamor
E venha até mim
A tua cura

Mesmo sofrendo eu não deixarei
De te adorar
Pois o senhor
Me ensinou a crer
Cansado e abatido eu estou
Alivia, hoje, a minha dor

É curioso – e um pouco desanimador em termos de criatividade dos músicos cristãos – perceber que a maioria das letras no meio “gospel” fala sempre sobre as mesmas coisas. A música acima é um exemplo disso, com uma temática bem saturada, seja em pregações ou até em cânticos, pois temos muitos outros hinos que versam sobre a mesma mensagem: “Se o sol se por”, “aos pés da cruz”, “rompendo em fé”, “quando penso que sou fraco”, “o meu Deus é o Deus do impossível”, “Deus forte”, “Dizem”, “em ti esperarei”, “esse é o Senhor Jeová”, “eu creio que tudo é possível”, “quando Deus quer fazer ninguém pode parar” e por aí vai… Não que essa temática seja errada, mas devemos ter uma variedade de temas mais ampla, pois existem músicas excelentes (inclusive muito mais excelentes do que o que se toca nas rádios) que não estão tão explícitas na mídia quanto essas , fora o fato de que muito do que se toca nas rádios (tanto a secular quanto a gospel) não é (e de looooonge) o melhor que existe na música cristã ou na secular, fora o fato da falta de criatividade (é sempre música sobre “vitória”, “chuva” – tinha uma época que estava terrível, só cantavam de “chuva”), por exemplo, são palavras exaustivamente cantadas – nada contra elas, mas muitos por puro desleixo ou comodidade não se fazem valer de simples sinônimos para enriquecer sua composição, fora o fato de que ao invés de explorar temas como avivamento, divisões no meio da igreja, a necessidade de servir ao próximo, de amar não somente de palavra mas também em obras, da superficialidade e distorção que o evangelho sofre nos dias atuais, optam por apregoar assuntos já saturados e que não vão “escandalizar” o público, ou seja, assuntos necessários, que precisamos ouvir. Temas que não colocam o cristão para refletir em seu estilo de vida, pra pensar se o cristianismo que ele vive é um cristianismo somente no nome (somente um rótulo), ou se é cristianismo “vivido, praticado”, não tocam “na ferida – será por que coisas assim não vendem? As pessoas pode se escandalizar não é verdade?

Ah se Paulo pensasse assim ao pregar aos Judeus (1 Co. 1:23-24 – Cristo crucificado, escândalo para os Judeus), pois como falava sobre perseverança em meio as aflições – não que seja errado pregar algo assim, mas como dizia o apóstolo Paulo em I Co. 13: “Quando menino, agia como menino, discorria como menino…” – Uma criança não se alimenta de leite por toda a vida, mas a partir do momento em que cresce começa a experimentar alimentos sólidos, e de forma análoga, ou seja, da mesma forma, um cristão não pode viver um evangelho superficial a vida inteira, pois um cristão de ao menos 5 anos de idade deve ter pelo menos alguma maturidade em relação as escrituras, pelo tempo de conversão e aprendizado que possui, (assim depreendo, assim concluo que tem que ser, acho que o certo seria assim). Sendo assim: Até quando vamos continuar batendo na mesma tecla? Cantando temas já saturados sendo que podemos ir mais além (como disse, nada contra essa temática – que muitas vezes inclusive não vai contra a palavra de D-s), mas até quando existirá tanta superficialidade?

Nossa vida é sujeita a mudanças, assim como o maná do povo de Israel estragava de um dia para o outro, nem sempre a mesma palavra de hoje me servirá amanhã (pode ser que sim, pode ser que não, mas Israel não teve momentos tanto de consolação da parte de D-s quanto de repreensão? Encorajamento quanto a arrepender-se? Não é algo estranho ver tais temas explorados a exaustão, à medida que outros caem no limbo do esquecimento?

Na busca pela verdade.
Bruno Vilela

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