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Um lugar proibido para pessoas perfeitas

Esse post é um esclarecimento em relação ao vídeo que postei no mês passado…

 

Conta a história que um pecador notório foi excluído e proibido de entrar na igreja. Ele levou suas dores a Deus:

 

– Eles não me deixam entrar, Senhor, porque sou um pecador.

– Do que é que você está falando? – Deus perguntou. – Eles também não me deixam entrar.

 

“…embora seja verdade que a igreja deva sempre se dissociar do pecado, ela não pode ostentar qualquer desculpa para manter qualquer pecador a distância.”

 

Brennan Manning, em “O evangelho maltrapilho”

 

 

No mês passado postei um vídeo, em resposta ao tal desafio “não me envergonho do evangelho”, o qual se disseminou rapidamente pelo facebook, e que consistia em basicamente postar um vídeo citando uma passagem da bíblia e intimar outras três pessoas a fazer o mesmo… até ai nada de mais.

Com o passar dos dias assisti alguns vídeos, e o que constatava em muitas pessoas era um conhecimento bíblico raso, ou quando não era o caso filmagens que remetiam ao improviso. Resolvi inovar, fazer algo que marcasse afinal de contas: Mas o que dizer?

Ai é que o chicote estralou! Bastou um palavrão no vídeo e pronto: Objetivo alcançado! Consegui chacoalhar as pessoas e ao menos chamar a atenção delas para o que queria dizer… será mesmo?

A questão é que por se tratar de um dos “levitas” da igreja, há quem tenha se escandalizado ao me ver falar aquilo! E o maior problema é que por conta desse início de vídeo espalhafatoso algumas pessoas simplesmente não assistiram o restante do vídeo. Cinco diferentes fontes, muito conteúdo e uma palavra biblicamente correta e coerente não fizeram frente a um palavrão…

O que dizer afinal de contas? Errei ao fazer aquilo? Afinal, o palavrão invés de chamar a atenção das pessoas para o que eu queria dizer simplesmente as afastou?

 

Como foi dito pelo apóstolo Paulo: “Não saía de vossa boca palavra torpe, mas tão somente a que for boa para produzir edificação.” A meu ver não fui contra essa palavra.“Mas poxa vida irmão Bruno – você poderia retrucar – a palavra não nos diz que não devemos escandalizar afinal de contas? O próprio apóstolo Paulo disse isso! Ainda que tenhamos a razão em certos assuntos, devemos nos abster para preservar alguém que é mais fraco na fé!” Sem dúvida alguma as escrituras dizem isso! Mas respondo com uma outra pergunta: Até que ponto não devemos escandalizar? De uma coisa tenho certeza: O escandalizar não é pretexto para inibir o que é certo. Por causa desse receio em escandalizar acabamos por levantar tabus dentro das igrejas: deixamos de falar em certos assuntos como pornografia, falta de pudor, orgulho, dentre tantas outras coisas que incomodam os ouvintes, e o escandalizar vira pretexto para a omissão! Ao fecharmos nossa boca perante estes e tantos outros pecados, também pecamos!

 

Seria essa mensagem tão indigna de ser ouvida graças a um único palavrão?

Seria uma vida tão indigna de ser ouvida e resgatada por conta de seus trejeitos, sua má fama, seu palavreado de baixo calão?

Seria uma pessoa tão desprezível por causa dos seus trejeitos, costumes, amizades, ao ponto de não merecer que eu ou você nos dispuséssemos a pregar a boa nova a ela?

 

Desistimos muitas vezes sem tentar (falo também por mim), e esquecemos que o espírito santo convence os corações, e que o nosso dever é falar, e que a nenhum homem devemos chamar de comum ou imundo (At. 10:28).

 

É interessante falar em escândalo, pois a própria palavra da cruz era “escândalo para os Judeus” e “loucura para os gregos”, mas para os cristãos era “salvação para todo aquele que crê”: E para nós, o que é a boa nova? Só devemos tirar da bíblia o que nos interessa e jogar fora todo o resto? Procuramos afinal um aliado nas escrituras ou um mestre? Um aio ou um juiz?

 

Blasfêmia ou escândalo é o mesmo que dizer “isso não me agrada” pra você?

 

Se a resposta for sim, você precisa urgentemente mudar os seus conceitos: Um cristão legalista e hipócrita (me perdoe a redundância, pois a hipocrisia já está implícita no caráter de um legalista) é muito mais foda do que muita gente por ai taxada como pecadora e condenada ao inferno pela boca de muito santarrão por ai! Condenamos mas esquecemos que também somos igualmente pecadores!

 

A palavra deve ser pregada e o pecado abominado, não resta dúvida. Entretanto, enquanto não nos contentamos em resgatar vidas, mas tivermos a necessidade de nos julgar mais dignos ou melhores do que os outros, postagens como essa jamais deixarão de surgir.

 

Bruno Vilela

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